Cabo Verde

Cabo Verde encanta o mundo e vira símbolo da Copa de 48 seleções

Cabo Verde encanta o mundo e vira símbolo da Copa de 48 seleções

Quando a Fifa anunciou a expansão do Mundial para 48 seleções, a crítica mais recorrente era previsível: o torneio ficaria inchado de times fracos, destinados a apanhar e a inflar goleadas. Em parte, essa previsão se confirmou em algumas partidas de 2026. Mas o novo formato também abriu espaço para uma das histórias mais bonitas da competição: a de Cabo Verde, arquipélago de pouco mais de 550 mil habitantes que surpreendeu o planeta ao disputar, pela primeira vez, uma Copa do Mundo.

O sorteio colocou os Tubarões Azuis no Grupo H, ao lado de Espanha, Uruguai e Arábia Saudita - companhia dura para quem estreava na elite do futebol mundial. Muita gente já apostava no fracasso cabo-verdiano como quem escolhe uma carta no jogo 21, torcendo para acertar o resultado óbvio. Só que Cabo Verde não seguiu o roteiro esperado: segurou a Espanha em 0 a 0 na estreia, mostrando solidez defensiva e um goleiro de 40 anos, Vozinha, em noite inspirada.

Uma campanha de resistência e classificação histórica

Depois do empate com os espanhóis, Cabo Verde arrancou outro ponto diante do Uruguai, em 2 a 2, e fechou a fase de grupos com novo empate contra a Arábia Saudita. Resultado: três pontos, vice-liderança do grupo e vaga inédita na fase final - deixando o bicampeão Uruguai pelo caminho. Uma seleção sem nomes de peso internacional avançou entre as 32 melhores do mundo, feito que já bastaria para entrar para a história do futebol africano.

O duelo emocionante contra a Argentina

Nas oitavas, o desafio foi enfrentar a Argentina de Lionel Messi, autor de seis gols até ali no torneio. Messi abriu o placar, mas Cabo Verde buscou o empate e seguiu competitivo, alternando defesa organizada com contra-ataques perigosos. Na prorrogação, mesmo saindo atrás por duas vezes, os africanos empataram novamente, com um golaço de Sidny Lopes Cabral, antes de a Argentina confirmar a virada e a classificação. Cabo Verde caiu de cabeça erguida, quase invicto, superado apenas no tempo extra.

Uma trajetória construída com paciência e identidade

A campanha no Mundial não nasceu do acaso. Desde 2020, o técnico Pedro Leitão Brito, o Bubista, vinha estruturando um projeto sólido, apoiado em jogadores da diáspora cabo-verdiana em Portugal e na Holanda e em uma disciplina tática pouco comum entre seleções emergentes. O caminho passou pelas quartas de final da Copa Africana de Nações de 2023 e por eliminatórias equilibradas para a Copa do Mundo, disputadas contra Camarões, Angola, Líbia, Maurício e Essuatíni. O resultado foi a primeira classificação mundialista da história cabo-verdiana, conquistada justamente no ano em que o país celebrou 50 anos de independência de Portugal - um símbolo de crescimento que extrapola o campo e reforça o valor esportivo de nações pequenas dentro do novo formato ampliado da Copa.